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As histórias e parcerias do Clube da Esquina

As histórias e parcerias do Clube da Esquina


Eu já estou com o pé nessa estrada/ Qualquer dia a gente se vê/ Sei que nada será como antes/ Amanhã . Os versos da canção Nada será como antes (Milton Nascimento/ Ronaldo Bastos) revela o espírito com que uma turma de garotos entrou em estúdio em 1972 para gravar um disco que mudaria os rumos da música brasileira. A história do grupo é contada no livro Coração Americano - 35 anos do álbum Clube da Esquina (Editora Prax), que acaba de ser lançado.

No livro, textos e imagens organizados por Andréa Estanislau ilustram o que foi o encontro de jovens músicos que se encontravam na esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis, no bairro Santa Tereza, em Belo Horizonte, para tocar violão. Depois do lançamento do disco, o som deles - que trazia novidades harmônicas e estéticas para a música brasileira - ganhou o país e o mundo.

Na época do lançamento do primeiro volume do Clube, em 1972, Milton Nascimento já era famoso. Tinha participado de festivais de música e sua composição Travessia já era conhecida do grande público. Até Elis Regina, uma das cantoras mais consagradas da época, havia gravado suas canções. Coube a ele então a missão de convencer a sua gravadora, a EMI-Odeon, a apostar naquela reunião de garotos que tão a fim de fazer um novo som e, mais que isso, lançar um disco duplo. "A gravadora não queria bancar o projeto. Milton bateu o pé e disse que iria procurar outra que se interessasse pelo disco", diz o músico Lô Borges, em entrevista a ÉPOCA. Lô tinha apenas 20 anos quando assinou a capa ao lado do amigo Milton.

Segundo Lô, ele, Milton e toda a turma - Beto Guedes, Toninho Horta, Wagner Tiso, Tavito, Nelson Ângelo, Ronaldo Bastos, Fernando Brant, Marcio Borges, entre outros - não tinham consciência do impacto que o álbum causaria. “Queríamos fazer música, tocar nossas canções. Tudo foi acontecendo naturalmente, durante as gravações mesmo”, conta. Para ele, o disco consegue ter unidade mesmo com as diferentes sonoridades propostas por ele e por Milton. “Agradeço por eles terem entendido o que eu queria dizer, meu novo jeito de compor e tocar que tinha uma clara inspiração nos Beatles. Eu fui um dos primeiros a compor baladas aqui no Brasil”, afirma Lô.

As músicas do Clube chamaram a atenção de uma geração de artistas. Elis, por exemplo, gravou Cais e Nada será como antes , em 1972, e, em 1980, uma nova versão para o Trem Azul . Tom Jobim registrou a mesma canção, na década de 90. "Ter sido gravado por Elis e Tom, para mim, valeu mais do que ter vendido um milhão de cópias de qualquer disco”, diz Lô.
Apesar de conviver com o "fantasma" do Clube até hoje - não há apresentação em que não peçam para cantar as músicas do grupo ou que fãs não cobrem um novo encontro dos amigos -, Lô é categórico ao afirmar que os dois discos e a reunião com seus amigos só lhe trouxeram alegrias na carreira. "O disco ter sido citado em 1001 Álbuns que você deve ouvir antes de morre r, do crítico Robert Dimery, é sinal de que fizemos um trabalho de qualidade”.

O segundo volume do Clube da Esquina foi lançado em 1978. Desta vez, além dos antigos parceiros do Clube, Milton, mais uma vez mentor do projeto, trouxe novos amigos, como as cantoras Elis Regina e Joyce e os compositores Chico Buarque, Ana Terra e Danilo Caymmi. No ano passado, a gravadora EMI lançou os dois discos em uma edição comemorativa.

Um terceiro disco? Lô não acredita nessa possibilidade. “Isso teria que partir do Milton, mas acho que ele não está voltado para isso. A chance de isso acontecer é muito remota”. Enquanto isso, o músico reforça sua parceria com outro mineiro, Samuel Rosa, vocalista do Skank. Os dois devem lançar juntos, neste ano, um CD e um DVD para comemorar os 10 anos de parceria. “A simbiose entre Samuel Rosa e Lô Borges cria algo novo, que não é nem Skank e nem Clube da Esquina”, diz Lô. Além desse projeto, Lô também pretende lançar um disco gravado no ano passado junto com a Orquestra Sinfônica de Belo Horizonte.


Fonte: Revista Época



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